Guia de boas vindas do condomínio

Paradígmas que dificilmente serão superados.

Por André de Pauli

Seres humanos novos não nascem sabendo;

Porteiros novos não chegam sabendo e

Terceirizados quando chegam para cobrir faltas ou férias não chegam sabendo.

Condominos e/ou moradores novos também não chegam sabendo.

Inúmeros conflitos, falhas, avaliações incorretas nascem do pré-conceito (conceito antecipado) da total capacitação dos recém-chegados. Muito comum os casos nos quais o novo operador dos controles de acesso, ao chegar ao seu primeiro dia de serviço, ser perguntado:

– “Você é Porteiro”? “Então pode assumir seu posto de trabalho”.

A integração tem papel relevante nos empreendimentos, desde a recepção do mais humilde prestador de serviços ao mais nobre dos condôminos e moradores. Atuar diretamente no controle de expectativas, ansiedades e neutralização de surpresas; tendo ao mesmo tempo o objetivo de ajusta-los a um padrão pré-estabelecido por parte dos que já contribuem a mais tempo par a formação da realidade e status do empreendimento.

Certamente há diferenças significativas entre receber um proprietário e/ou morador e/ou inquilino, comparativamente ao processo de integração de um novo prestador de serviços ou novo colaborador do sistema integrado de segurança (compreendendo desde um auxiliar de limpeza ao gestor predial e/ou de segurança condominial). Contudo, a elaboração de um Guia de Boas-Vindas será uma ferramenta poderosa para que muito dos objetivos sejam atendidos, destacando que este meio deverá ser utilizado e entregue presencialmente. O mundo é excessivamente virtual e a oportunidade do contato pessoal será a cereja deste bolo de boas vindas.

O evento integração, a depender das condições que o ambiente oferece, será ainda mais proveitoso se a entrega formal ocorrer em meio a uma apresentação áudio visual. O reforço de imagens e sequencia lógica pré-estudada e aprovada, propiciará maior efetividade (eficiência + eficácia). A ocasião será impar para uso adequado da palavra NÃO e clareza quanto ao que é incentivado, ao que deve ser evitado e posturas inaceitáveis. Oportuno realçar que algumas pessoas, a depender de seu status no ambiente do empreendimento, costumam demonstrar elevada repulsa a ouvir negativas por quem considera de nível inferior ao seu.

Neste momento vamos, portanto, nos ater a processos de acolhimento inicial de proprietários, condôminos, moradores e inquilinos. Deixaremos para outro artigo as recomendações envolvendo prestadores de serviços de forma geral, dos que atendem às unidades àqueles contratados para servir ao condomínio; por exigirem maior número de tarefas, etapas diferenciadas e envolver ciência dos indicadores mínimos que deverão atingir.

Cabe observar que estamos tratando sobre um Guia de Boas-Vindas e não um Livro ou enciclopédia. Importante que possua impressão de qualidade, produzindo o interesse em tê-lo para acessa-lo com facilidade, sem arquiva-lo ou leva-lo para a sexta secção. Devido a necessidade de outros documentos virem a ser citados no Guia de Boas-Vindas e apresentarem significativa importância para todos os envolvidos; estamos nos referindo ao Estatuto ou Convenção e ao Regulamento Interno. É sugerido que sejam encadernados separadamente, mas agrupados em uma embalagem que os tornem integrados naturalmente.

Sugestão de estrutura do Guia de Boas Vindas.

  • A história do empreendimento.

– Do projeto a entrega aos primeiros proprietários das unidades.

– Dados do arquiteto, do projetista, da incorporadora e da construtora.

– Diferenciais do empreendimento – Dos avanços às limitações.

  • Legislação aplicável na vida condominial

– Constituição

– Código Civil

– Outros

  • Do modelo de Acolhimento e Atendimento aos moradores.

– Princípios.

– Fatores Críticos de Sucesso.

– Código de Ética e Posturas Condominial.

  • Das Premissas e Restrições

– Apresentar sucintamente o Estatuto ou Convenção e o Regulamento Interno.

– Política de Segurança do Empreendimento

  • Recomendações e Observações Importantes

Destaques objetivos de Clausulas mais relevantes presentes no Estatuto ou Convenção e no Regimento Interno.

  • Serviços Disponíveis oferecidos pela Administração

– Campanhas

– Achados & Perdidos

– Agenda Anual de Eventos

  • Plano de Contingências

–          Das mais simples ocorrências

  • Plano de Emergências

– Princípio de Incêndio

– Ocorrências envolvendo reféns

  • Plano de Chamadas

– Internas

– Externas: Telefones Úteis

  • Imagem ou desenho do empreendimento com layout esquemático, nomenclaturas e localização de destaques relevantes.

Nota: Dimensões, formatação, diagramação, uso de imagens, redação e detalhamento. Poderá ser contratado com especialistas em segurança condominial ou resultado de comissão estruturada para tal fim. Cabe recomendar que incorporadoras viessem considerar a possibilidade de ser produtora desta obra.

Fundamental que sejam evitados os hábitos do uso do método “Ctrll C” “Ctrl V”, capazes de colocar elevadores em condomínios horizontais e quilômetros de vias nos verticais. Lí várias Convenções, Regulamentos Internos com tais falhas. O trabalho exige que seja personalizado, seja o empreendimento novo ou mesmo antigos.

Apesar do segmento de condomínios possuírem histórico de cerca de 80 anos (década de 30 – séc. XX); muitos dos novos usuários têm origem em casas, sejam residências ou escritórios. O choque de mudança para um sistema onde se socializa o espaço e responsabilidades precisa ser reconhecido e trabalhado pelo gestor predial e o de segurança condominial.

É condição primária que para um projeto ter sucesso exige-se que este seja: Politicamente Aceitável. E é muito mais fácil aceitar o que se conhece.

Eng.º André de Pauli

 

Consultor Sênior em Segurança Condominial

andredepauli@msn.com –

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