Fale com estranhos

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As conversas que temos com estranhos, mesmo que breves, são para exercitar nosso olhar cuidadoso, percepção mais sensível da outra pessoa, um sentimento de conexão.

Conversar com estranhos por alguns minutos faz florescer esse sentimento, mesmo que num lugar distante ou estranho.  Isso acontece muito quando viajamos para países diferentes, basta escutar alguém falar nossa língua para nos sentirmos mais próximos, mais livres e atrevidos para trocar algumas palavras e até convidar para tomar um café.

Eu gosto de conversar com dois tipos de pessoas uma delas são as crianças, afinal tenho que regressar a minha infância, ser ingênuo, brincar como fazia com meus filhos quando pequenos, trazer a memória aqueles momentos e trazer o passado ao presente, revigora a vida.  É incrível como os pequenos sabem se relacionar, brincam, se estapeiam, perdoam e voltam a brincar.  Com o tempo desaprendemos a leveza da vida.  Viver só entre adultos é muito chato e pouco desafiador.

Dialogar com pessoas numa fila, largar seu smartphone e dividir aquele momento de monotonia é fazer uma conexão com outras pessoas humanas iguais a nós. Acredito que gestos simples, mudam o dia. Esperar o elevador no hall, segurar a porta do elevador para seu vizinho, olhar sorrir, cumprimentar, trocar simples palavras, podem fazer muita diferença, desanima qualquer atitude mais negativa.

Eu gosto de almoçar num restaurante no Morumbi, aprecio demais a surpresa na combinação de temperos e a diferença que podem fazer com ingredientes comuns.  Mas quem sempre me recepciona é uma mulher cheia de vida. Embora não seja um local que frequente com regularidade, chego a ter saudades de nossas curtas conversas, ela é uma pessoa que consegue mudar para melhor aqueles meus minutos de vida, com coisas simples como gentileza e cordialidade.  Certo dia ela me recepcionou como sempre, aparentemente nada de diferente, mas a troca de olhar e sorrisos pareciam muito artificiais para mim.  Enfim, de forma atrevida me intrometi na sua vida pessoal, entendi o que se passava. Ela me contou um pouco, falei da minha experiência, enquanto orava e rogava consolo àquele coração.  Em poucos minutos pude retribuir os muitos minutos de vida que eu devia para ela.

Talvez seu apartamento ou casa ofereça segurança e conforto relativos às necessidades da sua vida.  Mas seu condomínio pode preencher outra necessidade ainda maior, oportunidade de relacionamentos.

Ensinamos nossos filhos a não conversarem com nenhum estranho. Sim, necessário e compreensível. Mas se você já é grandinho esqueça disso, desaprenda e fale com estranhos.

Se relacionar, correr o risco de ser agradável ou não?  Não tenha dúvida, na contabilidade relacional você sairá ganhando.

Parece-me egoísta não dividirmos nossa solidão, nossas experiências e nos permitir pequenas transformações com a convivência com pessoas diferentes de nós.

Disponibilize-se!  Faça como antigamente abra a janela, se debruce nela, olhe o tempo lá fora, a arte em cenas que as nuvens fazem no céu.  Olhe para as pessoas que passam a sua frente, esvazie-se. De um sorriso, cumprimente, deseje um bom dia. Se puxarem papo, se desafie e interaja com elas.  Permita conhecer pessoas com realidades diferentes, com opiniões que farão você refletir, se emocionar e rir.  Permita-se revisitar assuntos, olhar de novo seu ponto de vista.

Sim, é verdade, requer treino, mas, sobretudo requer vontade e traz muitos benefícios, inclusive, para a saúde.

Também tem aquelas conversas bobas, nas quais o assunto em si não tem importância nenhuma, mas favorece a troca de olhares, sorrisos com alguém “vivo” a minha frente, preenchendo algo que necessito. Qualquer conversa pode ir além do que está sendo dito.

Relacionar-se fará de nós pessoas melhores, mais sensíveis.

Outro tipo de pessoas que amo conversar são as pessoas mais velhas. Quanta sabedoria em simples palavras, gestos lentos e saudosismo. Alguns cheios de esperança mesmo com seus poucos anos restantes de vida, outros necessitando de esperança, me obrigando a injetar em suas veias esperança, para seus poucos anos restante de vida. Histórias de outros tempos, mas tão reais, apenas com cenários diferentes.

Sei que os tempos são outros, mas se relacionar não é restringir-se as redes sociais do seu condomínio. Nem sempre o melhor das pessoas aflora ali.  Chame as pessoas para conversar em algum lugar agradável de seu condomínio.  Escute sua voz e a voz da pessoa, entenda o tom das palavras, os gestos, os olhares, a pausa entre as frases e dê tempo para reflexão.

Para mim o melhor condomínio para morar não é aquele em que julgo de baixo custo, onde tudo está arrumadinho… Isso me parece muito pouco. É sim aquele condomínio onde a Gentileza e a Cordialidade são prioridades, tudo pode ser resolvido da melhor forma.

Vamos escrever novas histórias em nossos condomínios?  Conte conosco porque eu conto com vocês.

Jornal Folha Condomínios
Author: Jornal Folha Condomínios

Jornal Folha Condomínios - Um jornal focado nos condôminos e profissionais que atuam em condomínios.


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