Entenda os impactos da taxa Selic

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O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou por votação unânime, no 29  de maio, a taxa selic em 0,50 ponto percentual para 8% ao ano. Essa é a segunda vez no ano que o Comitê decide aumentar a selic que, no início do ano, estava no menor patamar da história (7,25%).

Mas o que é a Taxa Selic? Quais os motivos para o Copom aumentar a taxa de juros? Quais os impactos desse aumento na economia? E os impactos nos seus investimentos?

Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. É usada nos empréstimos feitos entre bancos e serve para definir o piso dos juros no país – é através dela que os bancos definem a remuneração das aplicações feitas pelos clientes – e como referência para financiamentos.

Nos últimos anos, o Governo reduziu a taxa selic – em 21/07/2011 ela estava em 12,50% – visando um aumento no poder de compra das famílias já que, com a queda dos juros, torna-se “mais barato” tomar dinheiro emprestado, assumir financiamentos e, consequentemente, aumentar o crescimento econômico do país, pois haverá mais dinheiro circulando na economia. 

Porém, desde que o Governo da Presidenta Dilma assumiu essa política monetária, os resultados não foram conforme o planejado, principalmente em duas variáveis importantes como o crescimento econômico e a inflação:

Após essa queda da taxa de juros, o PIB brasileiro vem crescendo bem abaixo do esperado:

  • O país cresceu, em 2011, 2,7%, para uma meta de 5%;
  • Em 2012, houve um crescimento ínfimo de apenas 0,9%, contra uma meta de 4,5%;
  • Já o 1º trimestre de 2013 teve crescimento de 0,6%, o que fez com que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, revisse a projeção para esse ano, que inicialmente era de 3,5% de crescimento em relação ao ano anterior.

A inflação também ficou bem distante das metas colocadas pelo Governo:

  • A meta de inflação para 2011 era de 4,5%, porém, o resultado apresentado foi 6,5%;
  • Em 2012, o índice ficou em 5,84% fugindo em 1,34% da meta do Governo, que era de 4,5%;
  • O sinal de alerta foi aceso quando, após esses dois últimos anos terem fugido dos percentuais aceitáveis, o Governo divulgou que o IPCA em 2013 já está em 2,50%.

Como o PIB e a inflação estão fora dos patamares desejados, o Governo precisou utilizar os recursos disponíveis para combater essas variáveis e tentar chegar perto das metas previamente estabelecidas. A ferramenta encontrada foi o aumento da taxa selic, já que sua elevação fará com que as famílias se endividem menos, pois o custo do dinheiro estará mais alto e, consequentemente, circule menos dinheiro na economia, forçando assim uma estabilidade no preço dos produtos e gerando uma estabilidade na inflação.

A elevação da taxa selic também influencia nos investimentos de:

  • Renda Fixa: nos investimentos com taxas prefixadas, como Letra do Tesouro Nacional (LTN) ou mesmo Nota do Tesouro Nacional (NTN-F), não haverá qualquer tipo de alteração direta já que a rentabilidade desse investimento foi acordada no momento de sua compra, porém, seu ganho real será reduzido em decorrência dessa elevação dos juros. Já com taxas pós-fixadas, como CDB, Letra Financeira do Tesouro (LFT), Nota do Tesouro Nacional (NTN-B) ou mesmo a Poupança, esse aumento é benéfico já que haverá um aumento da rentabilidade, pois esses investimentos estão atrelados a taxa básica de juros (a nova poupança, criada em 05/2012, tem rentabilidade de 70% da Selic + TR).
  • Renda Variável: a tendência é que ocorra uma migração de alguns investidores para a renda fixa, buscando assim rentabilidade garantida e aproveitando uma das maiores taxas de juros do mundo.

 

Agora é aguardar para ver se a Política Monetária do Governo conseguirá, através dessa alteração da Taxa Selic, aumentar o crescimento econômico e, principalmente, conter a inflação no país.

Colunista Economista José Maestrelli – TORO INVESTIMENTOS – www.toroinvestimentos.com.br 

 

Jornal Folha Condomínios
Author: Jornal Folha Condomínios

Jornal Folha Condomínios - Um jornal focado nos condôminos e profissionais que atuam em condomínios.


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